VOANDO RUMO À ECONOMIA VERDE

VOANDO RUMO À ECONOMIA VERDE

Há muito tempo, a sustentabilidade está na ordem do dia. Devido aos claros impactos das mudanças climáticas, este não é mais um assunto para ser endereçado no futuro, mas sim de forma imediata. Os indivíduos, os governos e os negócios devem estar comprometidos com a redução do impacto ambiental.

O isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus foi uma mostra do quanto causamos de impacto no meio ambiente. A limitação das atividades econômicas levou a mudanças visíveis em pouco tempo, como o clareamento das águas dos canais de Veneza, na Itália, a redução da poluição do ar na China e na Índia e o aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas em diversas partes do mundo.

A suspensão das atividades econômicas não será eterna, mas podemos fazer as conquistas ambientais desse período permanentes. Temos que fazer nossos negócios avançarem de forma positiva em direção à economia verde, integrando a estratégia ambiental ao core das suas atividades.

No Aeroporto de Salvador, adotamos essa filosofia. A de que a mobilidade do futuro é sustentável, de que não podemos fugir ao compromisso de garantir às próximas gerações um planeta minimamente habitável. Com este pensamento em mente desde o início da Concessão, em janeiro de 2018, em pouco menos de dois anos e meio saímos do posto de um aeroporto que não detinha nem as licenças ambientais obrigatórias até ser apontado como o aeródromo mais sustentável do Brasil.

Guiados pela AIRPact, estratégia global ambiental da rede VINCI Airports, e pelo exemplo de outros aeroportos que alcançaram a neutralidade em carbono, remodelamos nossas atividades de forma a reduzir significativamente o impacto ambiental das nossas atividades. Saímos do conceito de economia linear (em que tudo que se consome vira lixo) à economia circular (em que os insumos já utilizados são introduzidos em outros processos produtivos).

Foi com isso em mente que fomos os pioneiros em diversas áreas, como ao ser o primeiro aeroporto zero aterro, zero efluentes e a dispor de uma usina solar no Brasil. Outras conquistas também muito importantes foram a contribuição para a biodiversidade através da redução de birdstrikes, a redução do consumo de energia e a obtenção da Certificação de Acreditação em Carbono (ACA Certification) em primeiro e segundo nível.

Ter alcançado todas essas conquistas e ser apontado como o aeroporto mais sustentável do Brasil não nos aquieta, ao contrário, aumenta a nossa responsabilidade. Nos motiva a renovar o nosso compromisso de trazer o que há de mais avançado em termos de redução de impacto ambiental e também desenvolver nossas próprias estratégias nesse sentido. Mais do que ajudar as pessoas a chegarem a seus destinos com segurança, queremos levá-las a viver em um mundo melhor e mais equilibrado.  Isso é promover a mobilidade positiva - uma nova maneira de possibilitar o deslocamento das pessoas, considerando aspectos como sustentabilidade, inovação e diversidade.

Ainda há muito a ser feito, tanto para alcançar as metas globais da VINCI Airports (reduzir pela metade o consumo de água e energia, por exemplo) quanto para estarmos ainda mais alinhados com os objetivos sustentáveis da Agenda 2030. Ainda há muito o que avançar em engajamento dos nossos stakeholders e promoção da mudança em direção à economia verde.

O caminho rumo a um futuro mais sustentável ainda é longo e exige uma mudança de pensamento coletivo. Não se trata somente de plantar árvores ou usar papel reciclado, mas ter a sustentabilidade como ponto de partida de nossas ações. A responsabilidade é coletiva e se conseguirmos engajar mais pessoas e empresas nessa missão, a harmonia entre meio ambiente, atividades econômicas e sociais estará muito mais próxima do que podemos imaginar. 

Rodrigo Tavares é Gerente de Meio Ambiente do Salvador Bahia Airport